C.S. / julho 2017

Há vibração – dizes. É natural.

Deixar acontecer, deixar fluir.

Eu mergulho em tudo isso mas emerjo, vejo de cima, tento perceber, avaliar, analisar.

Como é possível?

Não conheço o piso em que me encontro. Ando cuidadosamente entre o entusiasmo e a perplexidade. E até o medo. Medo do fim do princípio. Medo de que seja uma brincadeira juvenil, um capricho de ambos. Carência de ambos.

Depois submerjo novamente. A languidez da água. A facilidades do toque dos amantes. A naturalidade nos avanços e recuos.

Ficar por aí. Ignorar a Razão déspota e entregar-me à pujança e urgência dos sentimentos e sentidos.

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Not a Poem I

Andreia. Escutar. Dinâmica. Conversar. Receio pesar-lhe.

Sou uma cliente. Vejo um rosto amável e um ouvido atento e decidido a ficar por ali. Pagar. Pagar a correr antes que essa possibilidade de atenção escape.

Solidão na alma. Se não fosse aí não o seria. Dói mais agora com o peso do Real.

Que sim. Que entre todos os nãos o sim vai prevalecer. Encontrá-lo lá dentro, bem no fundo. Contra os nãos que não controlamos e que embatem em nós a toda a força e velocidade. Sim será. Sim aqui. Sim para mim e para o vento que me acompanhará.

Por aqui

Há dias assim

Nos quais todos os mimos possíveis não são suficientes

Há dias assim, em que procuramos como uma barata tonta résteas de atenção, de validação pessoal, há dias assim, em que o silencio da televisão é mais ruidoso do que o das paredes.

Ser envolta em malmequeres, cheirar todas as flores do mundo, amar o amor e depois pedir por mais

Salto do sonho para o gelo da razão que me foge.

Atrapalho-me nas ambições.

O corpo treme e não é medo nem êxtase.

O ar tornou-se abafado e não respiro clareza ou emoções.

Se eu apenas conseguisse dar-me um momento. Para esperar. Para parar. Para sentir qual o tempo para o qual me devo dirigir.

Encarar-me sem tropeções.

Sem medo.